Diálogos

Shakespeare influenciou o pensamento e a obra de muitos autores importantes. No panorama internacional: Voltaire, Goethe, Schelegel, Coleridge, Emerson, Herman Melville, James Joyce,  Gertrude Stein, T. S. Eliot , Auden, Beckett, Marx, Freud, CharlesDickens e Thomas Hardy. No Brasil, marcou pelo menos três grandes escritores, Machado de Assis, Graciliano Ramos e Guimarães Rosa.

Aqui vamos, aos poucos, abordar a presença de Shakespeare na obra destes autores, com o intento de sugerir  futuras pesquisas, especialmente no âmbito da literatura brasileira. Na medida do possível, incluiremos depoimentos em vídeo sobre os temas tratados, e sugestão de bibliografia em português ou em inglês.

 

Machado de Assis

Machado de Assis era um grande leitor. Talvez todos os grandes escritores o sejam. Em seus livros, encontramos citações (nem sempre precisas) e alusões a autores como Homero, Santo Agostinho, Pascal, Montaigne, Goethe e muitos outros, inclusive, é claro, ao nosso assunto aqui, William Shakespeare.

Quanto a Shakespeare, as principais influências são, em primeiríssimo lugar, Otelo, pelo tema do ciúme que marca Dom Casmurro, mas também Hamlet, Macbeth e Romeu e Julieta, bem como de modo menos pronunciado  As alegres comadres de Windsor e A tempestade, além da menção ao próprio Shakespeare.

Foi a brasilianista Helen Caldwell que escreveu, em 1960, o importante estudo sobre Dom Casmurro, que mudou a direção da análise da obra. Até então a visão predominante era que Capitu seria culpada de adultério; muitos importantes críticos e intelectuais brasileiros partilhavam desta visão – Dalton Trevisan, Augusto Meyer, José Veríssimo e Millôr Fernandes . Caldwell, ao privilegiar a ligação entre Otelo e Casmurro chama a atenção pra o fato de Bentinho ter interpretado erroneamente a peça que assistiu pois Desdêmona é inocente.

José Luiz Passos, professor e escritor brasileiro, residente na California, recentemente publicou um livro de ensaios e crítica sobre a presença de Shakespeare na obra de Machado. Shakespeare e Machado se aproximam tanto pelo tratamento da interioridade e das motivações quanto pela importância da dimensão moral das personagens. Machado se serve de Shakespeare como parâmetro para a sua sondagem da “vida interior e do engano moral”, escreve Passos.

Biblioteca de Machado na ABL:
Quem quiser conferir in loco os volumes shakespeareanos, pode visitar a biblioteca do bruxo do Cosme Velho guardada na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro.

Em breve,  entrevistas em vídeo  com os especialistas em Machado de Assis em diálogo com Shakespeare  Luiz Felipe Passos e Marta de Senna.

 

 

Bibliografia para Machado & Shakespeare:

Senna, Marta de. O olhar oblíquo do bruxo – ensaios sobre Machado de Assis.
Jobim, José Luis. A biblioteca de Machado de Assis.
Passos, José Luiz. Romance com pessoas.(Objetiva, 2014)
Caldwell, Helen.  O Otelo brasileiro de Machado de Assis. (Ateliê Editorial, 2002).
Caldwell, Helen. Machado de Assis: The Brazilian Master and His Novels (University of California, Los Angeles, 1970).

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